2014/2015: UNE ANNEE SCOLAIRE CULTURELLEMENT RICHE POUR LES ELEVES LUSITANISTES DU LYCEE:

  •  1009439-drapeau de_langola Le 30 janvier 2015, une dizaine d'élèves a pu assister au concert du célèbre chanteur angolais Bonga au théâtre de l'Archipel

  • drapeau-du-portugal small Les élèves de 2nde sont partis en voyage d'étude du 26 au 31 mars 2015 à la découverte de la capitale portugaise, Lisbonne :

QUEM NUNCA VIU LISBOA; NUNCA VIU COISA BOA!

  • drapeau-du-portugal small Le 29 mai 2011, les élèves de 1ère ont pu, grâce à la Comédie du Livre de Montpellier, où les écrivains portugais étaient à l'honneur, rencontrer le grand poète : Nuno Judice.

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Voici deux exemples des poèmes que Nuno Judice a lu aux élèves et qui ont alimenté la discussion après l'échange de questions et de réponses auquel le poète a gentiment accepté de se prêter :

A. COMO SE FAZ O POEMA

 

Para falarmos do meio de obter o poema,

a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não

precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se

uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem

no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas

ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as

pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se

no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,

basta um pedaço de primavera na água, que se vai

buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,

ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco

da manhã enche o quarto de azul. Então,

a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é

o poema. Para que ele nasça, a flor precisa

de encontrar cores mais naturais do que essas

que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu

rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,

ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores

da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,

deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem

para as folhas, como a seiva que corre pelos

veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,

e o que tenho na mão é este poema que

me dese.


PEDRO LEMBRANDO INÊS


 

Em quem pensar,agora,senão em ti? Tu, que

me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a

manhã da minha noite. É verdade que te podia

dizer:"Como é mais fácil deixar que as coisas

não mudem,sermos o que sempre fomos,mudarmos

apenas dentro de nós próprios?"Mas ensinaste-me

a sermos dois;e a ser contigo aquilo que sou,

até sermos um apenas no amor que nos une,

contra a solidão que nos divide.Mas é isto o amor:

ver-te mesmo quando te não vejo,ouvir a tua

voz que abre as fontes de todos os rios,mesmo

esse que mal corria quando por ele passámos,

subindo a margem em que descobri o sentido

de irmos contra o tempo,para ganhar o tempo

que o tempo nos rouba.Como gosto,meu amor,

de chegar antes de ti para te ver chegar:com

a surpresa dos teus cabelos,e o teu rosto de água

fresca que eu bebo,com esta sede que não passa.Tu:

a primavera luminosa da minha expectativa,

a mais certa certeza de que gosto de ti,como

gostas de mim,até ao fundo do mundo que me deste.


Nuno Júdice





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